Fórum inaugura Centro de Conciliação e Mediação


Programa terá inicio no Fórum no próximo mês. Foto: Felipe Rodrigues

Fonte: A Voz da Cidade – http://bit.ly/2s71QCr

Conflitos familiares contarão com ajuda de profissionais especializados

Barra Mansa

O sistema judiciário é um importante meio para a resolução de conflitos. Por outro lado, a judicialização de casos pode gerar tensão entre as partes dos processos, e, especialmente, quando envolvem entes familiares. Na busca pela melhor convivência entre partes e resolução de demandas será lançado no próximo mês, em data ainda a ser confirmada, no Fórum da cidade, o Centro de Conciliação e Mediação. A notícia foi passada à equipe do A VOZ DA CIDADE com exclusividade pela juíza Lorena Paola Nunes Boccia, da 2ª Vara da Família, da Infância, da Juventude e do Idoso de Barra Mansa. O CEJUSC, segundo a doutora, visa atender aos ditames do Novo Código de Processo Civil, que estabelece que todos os esforços devem ser empreendidos para a solução da controvérsia pelas próprias partes, em acordo, e preferencialmente com o auxílio de profissionais habilitados para a mediação.

“Com a instalação do CEJUSC, teremos em Barra Mansa mediadores capacitados, que auxiliarão as partes a buscar uma solução consensual para o conflito. Somente se a mediação não tiver resultados é que terá início o prazo para o réu oferecer defesa e o conflito será então submetido ao juiz”, explicou a juíza.

Questionada se o método será usado só em casos de separações, Boccia explica que a princípio será realizado em todos os processos de família (divórcio, guarda, regulamentação de visitas, alimentos, etc). No futuro, pode ser estendido para todos os processos cíveis, abrangendo outros tipos de conflito. “Todas as Varas de Família poderão encaminhar os processos para o Centro de Mediação, que então chamará as partes para buscar uma solução amigável”, citou.

Sobre o motivo da implantação do CEJUSC na cidade, a doutora explica que: “Ainda não tínhamos em Barra Mansa profissionais habilitados e o espaço adequado para realizar a mediação. Os processos eram todos analisados pelo próprio juiz que, por força do próprio distanciamento do cargo, não pode resolver conflitos que não estão nos autos do processo, conflitos anteriores das partes que muitas vezes são a verdadeira causa do processo judicial”, contou Lorena.

A partir da instalação do CEJUSC, as partes dos processos de família poderão expor sua visão do problema para profissionais treinados a identificar as questões mais importantes, para ajudar as partes a encontrar alternativas para o alcance de um acordo. A intenção é facilitar um diálogo positivo entre as partes, criando uma atmosfera propícia e identificar as suas reais necessidades e resolvê-las.

Somente no ano de 2017, até o dia 30/04/2017, cada Vara de Família de Barra Mansa (são duas) já recebeu 460 processos envolvendo questões de família, dentre as quais se inclui processos de divórcio, de discussão sobre a guarda de filhos, partilha de bens e alimentos.

“A mediação é um procedimento realizado por profissionais especializados, em que se oferece às partes que estão vivenciando um conflito familiar a oportunidade e o espaço adequado para solucionar questões relativas à separação, ao sustento e guarda de crianças, visitação, pagamento de pensão alimentícia, divisão de bens e outras matérias, especialmente as de interesse da família. As partes poderão expor seu pensamento e terão uma oportunidade importante de solucionar questões de um modo cooperativo e construtivo, com diálogo”, finalizou.

Constelação Familiar

Questionada se no Fórum de Barra Mansa já existe a técnica da Constelação Familiar, a juíza Lorena contou que ainda não. O procedimento foi divulgado há duas semanas no programa Fantástico, da Rede Globo e chamou atenção dos telespectadores pela utilização da natureza teatral. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a ideia é que a implantação ocorra de forma gradativa em todo o Estado.

A constelação familiar foi criada pelo filósofo alemão Bert Herllinger e, aplicada ao Poder Judiciário, a técnica consiste em uma sessão de conciliação ou mediação até dois meses antes de uma audiência. Nas sessões, os participantes são estimulados a refletir sobre seus vínculos familiares, o litígio e os motivos que os levaram a entrar com o processo judicial. O objetivo é que, por meio da observação da dinâmica do sistema familiar, sejam interrompidos comportamentos repetitivos que geram conflitos, e também possibilitar a conversa entre os litigantes, que resulta, frequentemente, no acordo.

Link curto: http://bit.ly/2qzInIt
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